Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta segunda-feira (20), o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, em substituição a Márcio Macêdo (PT-SE).
A mudança marca uma tentativa do governo de reaproximar-se dos movimentos sociais e reforçar a presença de lideranças da esquerda popular em cargos estratégicos do Palácio do Planalto.
A Secretaria-Geral é responsável pela interlocução do governo com movimentos sociais, conselhos populares e organizações da sociedade civil. O gabinete do ministro fica no próprio Palácio do Planalto e tem valor simbólico por funcionar como ponte direta entre o presidente e as bases políticas mais engajadas.
Mudança esperada e cálculo político
A substituição de Márcio Macêdo já vinha sendo discutida nos bastidores há meses. O petista enfrentava críticas internas por dificuldades na articulação com setores da sociedade civil, área considerada sensível no atual governo.
Segundo fontes próximas ao Planalto, Lula manifestava desde o início de 2025 o desejo de colocar Boulos à frente da pasta.
Macêdo deve continuar ligado ao governo e, conforme apurado por veículos como CartaCapital e Poder360, deve se dedicar à construção de sua candidatura a deputado federal por Sergipe em 2026, com possibilidade de assumir uma nova função administrativa nos próximos meses.

A entrada de Boulos tem caráter estratégico. O presidente aposta em uma figura com forte apelo popular e trajetória consolidada nos movimentos sociais, especialmente no MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que o novo ministro ajudou a fundar e liderar.
O gesto é interpretado como esforço de Lula para reanimar a militância e recuperar apoio junto a segmentos da esquerda mais crítica ao governo.
Quem é Guilherme Boulos
Nascido em São Paulo, em 1982, Guilherme Castro Boulos é formado em Filosofia pela USP e pós-graduado em Psicanálise. Tornou-se conhecido nacionalmente como coordenador do MTST, movimento de luta por moradia que ganhou força nas periferias urbanas nas últimas duas décadas.
Filiado ao PSOL desde 2018, Boulos foi candidato à Presidência da República naquele mesmo ano e concorreu duas vezes à Prefeitura de São Paulo, chegando ao segundo turno em 2020 e em 2024 — primeiro contra Bruno Covas (PSDB) e depois contra Ricardo Nunes (MDB).
Em 2022, foi eleito deputado federal mais votado do estado de São Paulo, com mais de 1 milhão de votos.
Autor de livros como “Por que ocupamos?” e “Sem medo do futuro”, Boulos defende pautas como reforma urbana, renda básica universal e combate às desigualdades sociais. É considerado um dos principais representantes da nova geração da esquerda brasileira.
Reforço na interlocução social
A chegada de Boulos à Esplanada é vista como tentativa de reoxigenar o diálogo com os movimentos sociais, que vinham cobrando maior participação nas decisões do governo.
O novo ministro deve priorizar temas ligados à moradia, mobilidade e combate à pobreza — áreas nas quais construiu sua trajetória.
A nomeação também amplia o espaço do PSOL dentro da estrutura federal, consolidando a aproximação do partido com o PT. Desde 2023, Boulos tem atuado como um dos principais aliados de Lula no Congresso e em agendas públicas, mantendo interlocução direta com o presidente.
Leitura política e cenário de 2026
A mudança tem, ainda, um componente eleitoral. A entrada de Boulos no primeiro escalão fortalece sua visibilidade nacional e pode servir de plataforma para projetos futuros.
Embora aliados minimizem a hipótese de nova candidatura em 2026, a nomeação reforça sua posição como um dos nomes de maior projeção da esquerda brasileira.
Internamente, o gesto busca equilibrar o campo político do governo, unindo petistas históricos, setores progressistas independentes e lideranças dos movimentos populares em torno da agenda social do Planalto.
O que vem a seguir
A nomeação de Boulos será oficializada no Diário Oficial da União nos próximos dias.
A cerimônia de posse deve ocorrer no Palácio do Planalto, com a presença de representantes de movimentos sociais e parlamentares aliados.
Com o novo desenho, Lula sinaliza uma fase de ajuste político e recomposição de pontes com a base social que foi essencial para sua eleição em 2022 — um movimento que reforça tanto o discurso de unidade da esquerda quanto o projeto de continuidade do governo em 2026.
