Da Redação
Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) desenvolveram um canudo descartável capaz de detectar a presença de metanol em bebidas destiladas adulteradas, tecnologia que pode ajudar a evitar intoxicações e mortes provocadas pelo consumo de álcool falsificado.
O dispositivo muda de cor ao entrar em contato com o metanol, permitindo uma verificação rápida, simples e acessível para o consumidor. Segundo o jornalista Carlos Madeiro, em reportagem publicada no UOL nesta segunda-feira (20), o valor estimado de cada unidade é de R$ 2.
O projeto é liderado pelo professor Félix Brito, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciências Agrárias (PPGCA) da UEPB. Os protótipos já foram desenvolvidos e testados na Fundação Parque Tecnológico de Campina Grande, e o produto encontra-se em fase de depósito de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
De acordo com Madeiro, a proposta já foi apresentada ao Ministério da Saúde, que informou estar analisando, de forma inicial, essa e outras tecnologias voltadas à detecção rápida de bebidas contaminadas.
Falsos testes e golpes reforçam importância da inovação
Recentemente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, emitiu um alerta sobre golpes envolvendo falsos testes e canudos vendidos on-line com a promessa de detectar metanol em bebidas.
Segundo o órgão, não há produtos legalmente autorizados no Brasil com essa função. Muitos dos anúncios verificados são fraudulentos e visam coletar dados pessoais ou aplicar cobranças indevidas.
O desenvolvimento realizado pela UEPB é, portanto, o primeiro projeto científico nacional com base validada em laboratório e registro de patente em andamento, seguindo os trâmites legais e técnicos necessários para garantir segurança, eficácia e confiabilidade antes de chegar ao mercado.
Pesquisas em espectroscopia complementam o avanço
O trabalho integra uma linha mais ampla de pesquisa da UEPB voltada à autenticação e segurança de bebidas alcoólicas. Em paralelo ao canudo, outro grupo da instituição desenvolve um sistema de espectroscopia no infravermelho capaz de detectar adulterações sem abrir as garrafas.
Essa frente é coordenada pelo professor David Douglas Fernandes, do Programa de Pós-graduação em Química (PPGQ), com colaboração dos professores Railson de Oliveira Ramos, Germano Veras (PPGQ) e Félix Brito (PPGCA), além de outros pesquisadores.
Os estudos já atingiram 97% de precisão em testes laboratoriais, com resultados publicados em periódicos científicos internacionais, como Food Chemistry (2025) e Food Research International (2023).
As pesquisas contam com apoio da Fapesq e da Secties, além de parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O canudo químico surgiu como desdobramento prático dessa linha de investigação, unindo ciência e aplicabilidade social.
Impacto social e prevenção
A ingestão de metanol pode causar cegueira, falência múltipla de órgãos e morte. Casos de intoxicação são recorrentes no Brasil, especialmente em períodos festivos e em locais com venda informal de destilados.
Com custo estimado de apenas R$ 2, o canudo desenvolvido pela equipe da UEPB promete democratizar o acesso a um método seguro de detecção, auxiliando consumidores, bares, restaurantes e órgãos de fiscalização.
“O canudo representa uma forma prática de o consumidor se proteger e evitar tragédias causadas por bebidas adulteradas”, afirmou o professor Félix Brito, em declaração reproduzida pelo Uol
