Da Redação
Desde 2021 (pico da desigualdade), o Brasil atravessa um ciclo de redução da pobreza e da desigualdade, impulsionado principalmente pelo crescimento da renda do trabalho. O avanço foi mais intenso entre os 40% mais pobres, que alcançaram em 2024 o maior patamar de renda da série histórica, com média de R$ 670 é o que diz o Boletim Desigualdades nas Metrópoles, divulgado pelo Observatório das Metrópoles em parceria com a PCURS-Data Social.
No conjunto das metrópoles, a renda média da população também cresceu e, pela segunda vez consecutiva, registrou recorde: R$ 2.475 em 2024. O resultado refletiu diretamente nos índices sociais. A taxa de pobreza caiu de 31,1% em 2021 para 19,4% em 2024, o que corresponde a 9,5 milhões de pessoas fora dessa condição. Para o cálculo utilizou-se o critério do Banco Mundial, que considera R$ 692,54 mensais por pessoa. Foi a menor taxa de pobreza já registrada, com redução em todas as regiões metropolitanas.
A extrema pobreza seguiu a mesma tendência. Entre 2021 e 2024, o índice recuou para 3,3%, o que significa mais de 2,8 milhões de pessoas deixando a miséria. Aqui também foi usado o critério do Banco Mundial que classifica extremamente pobres os que possuem renda de R$ 217,37 mensais.
Também houve melhora nos indicadores de desigualdade. O coeficiente de Gini caiu de 0,565 para 0,534 no período, atingindo o menor valor da série histórica. A distância entre ricos e pobres diminuiu: em 2021, a renda do estrato mais rico era 19,2 vezes superior à dos mais pobres; em 2024, essa diferença passou para 15,5 vezes. Apenas quatro metrópoles apresentaram aumento da desigualdade: Curitiba, Florianópolis, Grande São Luís e Vale do Rio Cuiabá.
Segundo Marcelo Ribeiro, coordenador do Boletim Desigualdades nas Metrópoles, os avanços se explicam por um mercado de trabalho aquecido e pela valorização real do salário-mínimo. Para 2025, a expectativa é de manutenção do cenário positivo, ainda que em ritmo mais moderado.
