Mineração Vale Verde é acusada de descumprir acordo e causar danos em Craíbas

Compartilhe

POR REDAÇÃO COM ASSESSORIA

O Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) denunciou, nesta quarta-feira (10), uma série de irregularidades envolvendo a atuação da Mineração Vale Verde (MVV) no município de Craíbas, no Agreste de Alagoas. Entre as acusações estão a realização de detonações fora dos dias previamente combinados com a comunidade e o agravamento de problemas ambientais e sociais causados pelas operações da empresa.

De acordo com o MAM, um abalo sísmico de magnitude 1.7, registrado em Arapiraca e confirmado pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Labsis/UFRN), teria sido causado por mais uma detonação feita pela MVV sem aviso prévio à população. A ação, segundo o movimento, descumpre o compromisso firmado entre a mineradora e os moradores, que previa a realização de explosões apenas às terças e quintas-feiras, ao meio-dia.

Ainda segundo a entidade, moradores das comunidades vizinhas à mina vêm enfrentando uma série de transtornos provocados pela operação da empresa. Ruídos intensos durante a madrugada, poeira em excesso, rachaduras em residências e até a morte de animais estão entre os problemas relatados. O MAM também afirma que dois rios da região — o Riacho Salgado e o Rio Traipu — estão sendo contaminados por metais pesados, o que coloca em risco a saúde de centenas de famílias.

“A MVV não apenas rompe com os acordos feitos com a população, mas também avança sobre os direitos fundamentais das comunidades afetadas. Os impactos são profundos e vão desde danos materiais até questões graves de saúde pública”, afirma a nota divulgada pelo movimento.

O grupo exige a imediata suspensão das atividades que considera abusivas e defende que a empresa seja responsabilizada pelos danos causados. A entidade ainda informou que levará as denúncias ao Ministério Público de Alagoas para que sejam apuradas.

Posicionamento da empresa

Em nota, a Mineração Vale Verde negou as irregularidades. Afirmou que os desmontes controlados de rocha seguem um cronograma previamente alinhado com a comunidade, sendo realizados, em geral, duas vezes por semana, entre 12h e 13h. A empresa reconhece que possui licença para operar todos os dias, mas diz ter optado por reduzir a frequência para minimizar os impactos à vizinhança.

A mineradora informou também que mantém um canal de comunicação com os moradores, por meio de grupos de mensagens, onde todas as atividades são avisadas com antecedência. Segundo a MVV, os níveis de ruído e vibração são monitorados e os relatórios são enviados aos órgãos competentes.

A empresa destacou ainda a existência do Comitê Social Participativo de Mineração, que promove reuniões mensais com a presença de representantes das comunidades da região, além de autoridades locais, para discutir demandas e buscar soluções conjuntas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *