Ex-paciente denuncia agressões e abandono em clínica onde mulher morreu em Marechal Deodoro

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POR RAFAELA TENÓRIO

Um ex-paciente da clínica de reabilitação onde Cláudia Pollyanne Farias, de 41 anos, faleceu no último sábado (9), denunciou uma série de abusos ocorridos dentro da unidade. O caso foi revelado nesta quinta-feira (14) em entrevista concedida à TV Ponta Verde. A clínica fica localizada em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió, e está sob investigação da Polícia Civil de Alagoas.

“O que existia era violência”, afirma ex-interno

Leonardo Mendes, que também foi internado na mesma clínica, relatou que o ambiente era hostil e violento. Segundo ele, pacientes sofriam agressões físicas, inclusive praticadas pelo próprio proprietário da instituição.

Em um dos episódios, Leonardo contou que levou um soco na barriga, caiu no chão e, em seguida, foi chutado diversas vezes. Após as agressões, era comum que os internos fossem dopados e trancados em um quarto.

“A gente espera acolhimento, tratamento, uma chance de recomeçar. Mas o que existia ali era violência”, afirmou o ex-paciente. Ele também destacou que o dono da clínica demonstrava maior agressividade sempre que o via interagindo com Cláudia Pollyanne, conhecida como Polly.

Superlotação e condições precárias

Ainda segundo Leonardo, a clínica abrigava cerca de 25 pessoas, mas não dispunha de estrutura adequada. Não havia camas para todos, e muitos precisavam dormir em colchões no chão da sala. Ele descreveu um clima constante de medo entre os pacientes, sem qualquer previsibilidade sobre o comportamento do proprietário.

“Às vezes estava tudo calmo, e do nada ele começava a agredir todo mundo”, relatou.

Morte sob investigação

Cláudia Pollyanne estava internada na clínica há mais de um ano. No sábado (9), ela foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Deodoro, mas já chegou ao local sem sinais vitais. Segundo os profissionais de saúde, o corpo apresentava marcas que podem indicar agressões físicas, e a morte teria ocorrido cerca de quatro horas antes da chegada à UPA.

A Polícia Civil de Alagoas já abriu inquérito para investigar o caso. Um boletim de ocorrência foi registrado, e a apuração segue com base nos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e nos depoimentos de testemunhas.

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