Alagoas já acolheu mais de 50 mil pessoas através do projeto FRATERCOM, mas recebe apenas R$ 40 por dia por acolhido

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Por Rafaela Tenório
Alagoas soma um histórico de mais de 50 mil vidas acolhidas e transformadas por meio do trabalho incansável da FRATERCOM – Associação das Comunidades Acolhedoras de Alagoas. Fundada com o propósito de apoiar pessoas em situação de dependência química, a entidade representa atualmente 22 comunidades terapêuticas espalhadas por todo o estado, promovendo reabilitação com base na espiritualidade, laborterapia e reinserção social.
Apesar do impacto social expressivo, o projeto enfrenta graves desafios financeiros. O valor repassado pelo poder público para custear cada acolhido é de apenas R$ 40 por dia — verba que precisa cobrir alimentação completa (café, almoço, jantar e lanche), estadia, suporte de psicólogos e equipe técnica, além da manutenção física das estruturas.


Agreste: o celeiro das comunidades acolhedoras


Em entrevista ao Jornal de Arapiraca, o ex-deputado federal Givaldo Carimbão, um dos maiores articuladores da pauta antidrogas no Congresso Nacional, destacou o protagonismo da região agreste no cenário de acolhimento alagoano:
“Arapiraca é um celeiro, onde a instituição atende centenas de pessoas e, graças a Deus, o projeto está salvando muitas vidas”, afirmou Carimbão.
Municípios como Arapiraca, Campo Alegre, Coité do Nóia, Maribondo, Craíbas, São Miguel dos Campos, Anadia e Palmeira dos Índios lideram esse movimento comunitário de acolhimento, sustentado majoritariamente por voluntariado e parcerias com programas sociais, como a Nota Fiscal Cidadã.


Arapiraca sediará eleição da nova diretoria da FRATERCOM
Em reconhecimento à sua importância, Arapiraca foi escolhida para sediar a Assembleia Geral Extraordinária da FRATERCOM, que acontecerá em 24 de julho de 2025, às 14h, na sede da comunidade Lar Semear (Rua Benjamin Freire de Amorim, 1936, bairro Brasiliana).
Na ocasião, ocorrerão a eleição e a posse da nova Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal, com mandato até julho de 2028. A escolha do local reforça a posição estratégica de Arapiraca na rede de acolhimento e, segundo Carimbão, “não foi por acaso”.


Quem faz parte da FRATERCOM?


A entidade é formada por 22 comunidades acolhedoras associadas, coordenadas por líderes comunitários que se dedicam diariamente à missão de resgatar vidas:

  1. Gêneses – Cris e Marciel
  2. Divino Pai Eterno – Alan
  3. Divina Misericórdia – Arly
  4. Paz em Cristo – Almir
  5. Dona Paula – Ruth
  6. Lar Semear – Eliana
  7. São Paulo Apóstolo – Marcelo Pedrosa
  8. Aliança da Restauração – Jadilson
  9. Nova Vida – Alison
  10. Yobel – Sidcley
  11. Mãe Rainha – Elizabeth
  12. Senhora Santana – Renato Canté
  13. Desafio Jovem – Márcio
  14. Kerigma – Admar
  15. Bom Samaritano – Edmilson
  16. Santo Onésimo – Luciene
  17. Jesus Te Ama – Everaldo
  18. Inove – Graça
  19. Shalon – Luciana
  20. Projeto Sarah – Lindojhonson
  21. Fazenda Esperança (Marechal) – César
  22. Fazenda Esperança (Poço das Trincheiras) – Eduardo e Priscila Rabelo

  23. Um legado de luta: Crack, é possível vencer!

  24. Carimbão também relembrou o livro-relatório “Crack, é possível vencer!” (2016), resultado de visitas às 27 capitais brasileiras e 18 países durante a relatoria da Comissão Especial de Políticas Públicas sobre Drogas na Câmara dos Deputados. Com mais de 1.000 páginas, o documento fundamentou o PL 7663/2010, propondo políticas focadas na recuperação da pessoa humana, e não apenas na repressão.
    “Se o governo investisse 10% do que gasta em segurança pública em comunidades acolhedoras, estaríamos salvando muito mais vidas”, reforçou o ex-deputado.

  25. Um apelo por justiça no financiamento

  26. Com mais de 50 mil atendimentos já realizados, a FRATERCOM prova que acolhimento e recuperação são possíveis — mas a sustentabilidade do projeto depende de maior sensibilidade e apoio do Estado, para que os R$ 40 pagos por acolhido deixem de ser um obstáculo à continuidade dessa obra de transformação social.

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