POR REDAÇÃO
Um grupo de mães apresentou recentemente uma denúncia à Defensoria Pública Estadual de Alagoas, alegando falta de transparência e possíveis irregularidades no processo seletivo de admissão de alunos da Fundação Bradesco. A Fundação, instituição vinculada ao banco Bradesco, oferece educação gratuita de qualidade, especialmente para crianças e jovens de famílias em situação de vulnerabilidade social. Porém, as mães alegam que o processo seletivo não é conduzido de maneira clara e justa, particularmente no que diz respeito à inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
A Fundação Bradesco, inaugurada em 1956, é amplamente reconhecida pela sua qualidade educacional, sendo uma das instituições mais disputadas durante os períodos de seleção. Contudo, o grupo de mães questiona a falta de informações detalhadas sobre o desempenho dos candidatos e, em alguns casos, o não cumprimento das necessidades específicas de crianças com deficiência no processo seletivo.
A Defensoria Pública do Estado de Alagoas, por meio de seu Núcleo da Infância e Juventude, confirmou que atendeu uma denúncia feita por uma mãe, Nickaelly de Souza Vieira, que relatou dificuldades em inscrever seu filho, diagnosticado com TEA e TDAH, no processo seletivo da Fundação. Segundo ela, a instituição teria demonstrado resistência em aceitar a inscrição de seu filho e não teria garantido condições adequadas durante a aplicação da prova. De acordo com Nickaelly, no formulário de inscrição ela indicou que o filho precisava de acompanhamento durante a prova, o que não foi providenciado pela Fundação.
Além disso, a mãe afirmou que, no dia do anúncio dos resultados, em 20 de dezembro do ano passado, ao comparecer à instituição para saber se seu filho havia sido aprovado, foi impedida de entrar, sendo informada apenas que a família dos candidatos aprovados seria contatada por telefone. Para ela, a falta de transparência no processo, com a ausência de informações claras sobre o desempenho dos candidatos, tem sido um fator prejudicial, especialmente para pais de crianças com necessidades especiais, que muitas vezes enfrentam desafios adicionais no processo de seleção.
Taciana Mendes, nutricionista e também mãe de um candidato, se uniu ao grupo para questionar o processo. Ela revelou que, apesar de seu filho ter feito uma boa prova, não recebeu nenhuma explicação sobre o desempenho dele ou o seu posicionamento na classificação geral. A dificuldade em obter informações, mesmo após diversas tentativas de contato com a Fundação, gerou ainda mais desconfiança sobre a forma como o processo seletivo é conduzido.
Em sua denúncia, Nickaelly de Souza Vieira também expressou preocupação com a quantidade de vagas reservadas para crianças com necessidades especiais, como o TEA. Segundo ela, a Fundação Bradesco mencionou que existiam apenas duas vagas para crianças com esse diagnóstico, além da vaga de seu filho, mas ela não conseguiu confirmar a veracidade dessa informação. Para ela, a falta de informações claras sobre o número de vagas disponíveis para crianças atípicas é um dos pontos que reforça a sensação de exclusão e discriminação.
Em resposta às acusações, a Fundação Bradesco se defendeu, alegando que o processo seletivo segue critérios objetivos e transparentes, conforme descrito no edital público. A instituição ressaltou que os critérios de seleção incluem aspectos como idade e renda familiar, de acordo com a metodologia estabelecida. A Fundação também afirmou que todas as etapas do processo foram conduzidas com responsabilidade, ética e em conformidade com as normas legais.
A Fundação Bradesco ainda afirmou, em sua nota, que o compromisso com a equidade no acesso à educação gratuita e de qualidade é uma prioridade. A instituição enfatizou que busca sempre garantir a inclusão de todos os candidatos, incluindo aqueles com necessidades especiais, em conformidade com as orientações pedagógicas e as normas para atendimento de alunos com deficiências. No entanto, os questionamentos feitos pelas mães indicam que, apesar dessa política de inclusão, a prática pode não estar sendo implementada de maneira eficaz e justa para todas as crianças.
A Fundação Bradesco, com sua longa trajetória de atuação no Brasil, foi criada com o objetivo de proporcionar educação de qualidade para crianças e jovens, especialmente aqueles provenientes de áreas com altas taxas de vulnerabilidade socioeconômica. Por ser uma das maiores iniciativas de investimento social privado no país, seu compromisso com a educação gratuita é amplamente reconhecido. No entanto, as recentes denúncias levantam preocupações sobre a transparência nos critérios de seleção e a efetiva inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais.
A denúncia foi formalizada pelo Núcleo de Causas Atípicas da Defensoria Pública, que segue acompanhando o caso. A Defensoria recorreu da decisão judicial que negou o pedido liminar, e as mães esperam que uma investigação mais profunda seja realizada para garantir que todos os candidatos, especialmente os com necessidades especiais, tenham seus direitos respeitados no processo de seleção.
O caso segue sendo monitorado de perto pelas autoridades competentes, e a resposta da Fundação Bradesco, junto com as alegações das mães, levanta questões importantes sobre a necessidade de um processo seletivo mais transparente, inclusivo e justo, que atenda adequadamente às necessidades de todos os candidatos.